O #amor não tem rótulos – #diversidade #inclusão

Hoje vimos nas redes sociais um vídeo maravilhoso que representa bem que o amor deve ser praticado em sua forma mais pura, sem rótulos. O amor não tem gênero. O amor não tem raça. O amor não tem deficiência. O amor não tem idade. O amor não tem religião. O amor não tem fronteiras.

Usando uma tela de raio-x foi mostrado em praça pública casais de esqueletos apaixonados. ❤ ❤ A identidade por trás dos esqueletos foi a grande emoção! Assista e se emocione:

Se você tem esperança em mundo de mais amor e respeito à diversidade e à Natureza, compartilhe seus sentimentos por aí. Converse com as pessoas, tenha paciência para expor suas ideias. O desconhecimento leva ao preconceito, violência, sofrimento e espanto diante da diversidade social, cultural, sexual e étnico-racial. Vamos abordar temas contemporâneos com uma visão otimista e contribuir para uma educação inclusiva e com afeto.

Congresso Cuba: desenho animado e palestra na íntegra #literatura #diversidade #inclusão

Congresso Internacional Leitura 2013 – Para ler o XXI

Há que se conhecer as forças do mundo para colocá-las em movimento

Transcrição da palestra de Carolina Graciosa da Fonseca:

Olá, boa tarde!

É com muita alegria que participo desse congresso.

Minha apresentação não traz nenhum conceito inovador, embora possa ser transformadora. Eu vim falar basicamente de afeto. É simples: amor. Amor num mundo infestado por sentimentos ruins que podem ser resumidos na violência.

Falta solidariedade, falta compreensão. Violência com o diferente e com natureza. E para falar de amor minha proposta é apresentar as ideias por trás do projeto dos livros d’O mundo colorido de Francisca, abordando, principalmente, a diversidade e a inclusão.

Há 3 anos eu terminava meu mestrado em Educação. Minha sobrinha, filha de uma das minhas irmãs mais novas, então com 4 anos, foi obrigada a experimentar a separação dos pais.

Os fatos que desencadearam da separação foram diversos e por motivos sérios, contudo não tão trágicos – mas que pelo desconhecimento trazem angústia – eu resolvi retratar a vida dessas crianças que estão crescendo no século XXI.

Morar com uma mãe que precisa trabalhar fora, ficar com os avós ou outros responsáveis, ver o pai somente aos finais de semana… Apesar de a guarda ser compartilhada, sempre cai no colo da mãe a maior parte da responsabilidade. E com a emancipação da mulher para o trabalho, responsabilidade não só de tempo para educar, com o peso da jornada dupla, mas também para correr atrás do sustento e enfrentar o preconceito, pois a mulher, infelizmente, ainda ganha menos ou ocupa cargos menos relevantes.

Essas crianças são cobaias de um novo mundo. O número de divórcios registrados na última estatística feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2011, foi o maior desde que o dado começou a ser medido em 1984. A taxa de divórcios em 2011, de 2,6 por mil habitantes com mais de 15 anos, também superou a de 2010 (1,8 por mil) – um aumento de 45,6% – e foi a maior desde 1984, quando era de só 0,5 para cada mil.

Sem levar em consideração problemas mais sérios que uma família pode enfrentar o ambiente familiar, de cooperação, compreensão e respeito, ainda é um dos mais favoráveis para se criar uma criança.

Meu foco é atitudinal afetivo com o intuito de promover a valorização da diversidade. Da diversidade, especialmente, dos núcleos familiares, que hoje são variados e que precisam ser reconhecidos. Não podemos enfiar goela abaixo nenhum modelo. Temos que respeitar e procurar a melhor maneira de conviver com as novas famílias. Muitas escolas no Brasil não promovem mais atividades no Dia das Mães e no Dia dos Pais, comercialmente promovidos pelas mídias. Eles estabeleceram o “Dia da Família na Escola”.

Então, como parte desse primeiro passo de promoção da diversidade e da inclusão, idealizei livros que abordam temas contemporâneos, para que esses novos modelos sejam (re)conhecidos e não causem espanto ou tragam o preconceito para as relações sociais.

Tem um trecho de um debate sobre ‘Temas polêmicos na literatura’, de autoria de Nilma Lacerda, que eu gostaria de ler aqui:

“Questões fundamentais da existência atingem crianças e jovens com intensidade semelhante à que atinge os adultos, mas os temas que expressam a angústia frente a essas questões são considerados polêmicos, e obras que tratem do mal, da morte, da violência na escola, da sexualidade, do homoerotismo são, em geral, consideradas ousadas, perigosas, inadequadas pelos docentes, e costumam passar longe da sala de aula, quando se sabe que nelas reside a possibilidade de, por meio da ficção, reconhecer e discutir os enigmas da existência humana e a problemática das relações sociais e, ainda, alcançar a construção de respostas existenciais necessárias aos projetos pessoais e coletivos.[1]

Entre os temas trabalhados nos livros publicados até o presente momento, destacam-se:

  • O respeito às individualidades (raça,etnia, idade, gênero);
  • As relações interpessoais de dependência e o respeito geracional (empatia, reconhecimento e valorização);
  • A diversificação dos núcleos familiares, introduzindo a criança a outras realidades;
  • A construção e reconhecimento da autoimagem e da identidade;
  • O novo papel da mãe com a emancipação da mulher para o trabalho;
  • A introdução da criança a diferentes culturas;
  • A relativização das definições de gênero;
  • O respeito aos animais e à Natureza;
  • A diversidade de sentimentos e a perplexidade da vida.

A intenção é que a coletânea trabalhe também os possíveis desdobramentos, podendo abordar temas muitas vezes considerados mais ousados, mas que são atuais e urgentes para a promoção de uma sociedade de mais amor e respeito.

Tratar da sexualidade, como o homoerotismo e o casamento entre pessoas do mesmo; assim como a violência na escola ou dentro de casa, a adoção e finitude da vida, entre outros temas necessários.

Vou terminar minha pequena exposição com um vídeo singelo de animação da série. E ao saírem, por favor, peguem comigo um exemplar de apresentação d’O mundo colorido de Francisca.

Espero que gostem!

Obrigada!

____________________________________________

[1] Salto para o Futuro. Boletim 11, junho de 2007. Debate: Temas polêmicos na literatura. Conceituação e justificativa. Nilma Lacerda. Pág.03.

Texto para a palestra em Havana, Cuba: Congresso Internacional Leitura 2013 – Para ler o XXI #literatura #diversidade #inclusão

Congresso Internacional Leitura 2013 - Para ler o XXI Há que se conhecer as forças do mundo para colocá-las em movimento' .:.  'Segundo Coloquio Internacional Sobre El Libro Para Bebés, Niños y Jóvenes'.

Participação no ‘Congresso Internacional Leitura 2013 – Para ler o XXI Há que se conhecer as forças do mundo para colocá-las em movimento’ ‘Segundo Coloquio Internacional Sobre El Libro Para Bebés, Niños y Jóvenes’.

Texto enviado para a palestra em Havana:

Congreso Internacional Lectura 2013: para leer el XXI Se ha de conocer las fuerzas del mundo para ponerlas a trabajar

La Habana, Cuba 

Autora: Carolina Graciosa

Projeto: O mundo colorido de Francisca

Tema: Diversidade e Inclusão

Origem: Rio de Janeiro, Brasil

O mundo colorido de Francisca: diversidade e inclusão no universo da literatura infantil

As crianças estão crescendo num mundo cada vez mais diverso, onde questões importantes estão deixando de ser abordadas ou muitas vezes os responsáveis nem sabem como explicar certas coisas. O mundo colorido de Francisca pretende oferecer uma literatura crítica, que busca trabalhar a condição humana e social de maneira divertida.

Francisca é uma menina como muitas outras. Magrela e alegre, tem 6 anos, mora na cidade grande e tem muitas perguntas na cabeça. Algumas podem ser simples, como ‘por que ela tem que dormir se acha que não está com sono?’ ou ‘por que não pode comer doce antes das refeições?’. Outras um pouco mais complicadas, como ‘por que tem gente que diz que rosa é cor de mulher e azul de homem?’, ‘por que a sua melhor amiga não tem pai?’, ‘por que seus pais não moram mais juntos?’ ou até ‘por que seu amigo tem duas mães?’.

O projeto incentiva um mundo de mais amor e respeito à diversidade e à Natureza. O desconhecimento leva ao preconceito, violência, sofrimento e espanto diante da diversidade social, cultural, sexual e étnico-racial. O mundo colorido de Francisca aborda temas contemporâneos com uma visão otimista e com a intenção de contribuir para uma educação inclusiva.

“Questões fundamentais da existência atingem crianças e jovens com intensidade semelhante à que atinge os adultos, mas os temas que expressam a angústia frente a essas questões são considerados polêmicos, e obras que tratem do mal, da morte, da violência na escola, da sexualidade, do homoerotismo são, em geral, consideradas ousadas, perigosas, inadequadas pelos docentes, e costumam passar longe da sala de aula, quando se sabe que nelas reside a possibilidade de, por meio da ficção, reconhecer e discutir os enigmas da existência humana e a problemática das relações sociais e, ainda, alcançar a construção de respostas existenciais necessárias aos projetos pessoais e coletivos.[1]

O projeto consta, a princípio, de uma série de 8 (oito) livros, com cerca de 20 (vinte) páginas cada, podendo ser ampliado e o formato repensado. O público estimado a quem a série se destina é o infantil, para crianças de 4 (quatro) a 8 (oito) anos de idade. Francisca pretende mostrar sua visão da realidade e diversão, além de abordar temas considerados polêmicos e os diferentes hábitos e valores existentes na sociedade contemporânea.

Foi pensando na importância de abordarmos temas muitas vezes considerados polêmicos na sociedade atual que a série foi desenvolvida. A princípio assuntos menos densos são retratados em Francisca, como a separação dos pais e conflitos infantis, intercalados por temas mais corriqueiros, para não transformar o projeto em uma série pesada (para os responsáveis). A intenção é avançar a coletânea e falar inclusive sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção e morte, entre outros temas necessários.

Projeto Pedagógico

A literatura, como a experimentamos, faz parte de um universo de pessoas alfabetizadas com tempo livre e questões a serem desdobradas. Já a literatura infantil é um universo de imaginação e a ser criado junto à criança. De imaginação porque é o meio pelo qual letras e palavras se materializam para criar mundos, o que ainda é uma novidade para a criança. A ser criado porque é um mundo verossímil, que depende da capacidade de abstração das crianças para plasmar mentalmente uma situação, ou, mais complexamente, uma narrativa. Estamos, então, nos referindo não só à introdução de uma forma de passar o tempo como também de um instrumento que contribui para as funções cognitivas da criança além de formação de um futuro cidadão pelos conteúdos expressos.

“O mundo colorido de Francisca” tem por intenção trabalhar diretamente nessas duas áreas, lançando mão de uma linguagem acessível para crianças em processo de alfabetização e apresentando temáticas do mundo adulto que os pais, muitas vezes por impedimentos religiosos ou de formação, têm dificuldades em dialogar com seus filhos. Sendo assim, ‘O mundo colorido de Francisca’ tem por objetivo ser uma fonte inicial para a diversidade da vida, já que aborda temáticas que no universo imediato da criança – a família, a escola, a comunidade – podem não se apresentar, mas que na vida independente e nas grandes mídias são frequentemente mostradas.

Logo, temos um livro de literatura que pode ser tanto trabalhado no espaço escolar como no espaço privado, familiar ou pessoal da criança, contribuindo para a construção de autonomia na reflexão de questões presentes na vida.

Justificativas

A série de oito livros da vida de nossa pequenina Francisca se destina a crianças em processo de alfabetização, participantes do primeiros ciclos do Ensino Fundamental. Nada impede que sejam apropriados por crianças em outros ciclos, afinal, são livros paradidáticos em consonância com os temas transversais estabelecidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. E esses temas tratam da vida como um todo e não necessariamente de um conteúdo ou matéria específicos.

Os temas são preponderantemente urbanos e visam contemplar o universo circundante dessas crianças: vida familiar, vida escolar, os amigos e as novidades que encontramos nessa idade curiosa. Dessa forma, pretende interferir positivamente na formação de futuros cidadãos quanto à promoção da dignidade da pessoa humana e da igualdade de direitos.

Essa interferência é realizada pela literatura por esta ser um meio capaz de possibilitar a alternância do Eu. Trata-se de se colocar na posição do outro e com ele percorrer uma história que também se torna sua pois suscita sensações e julgamentos de valor. Portanto, para um tratamento didático enfocado, a série está alinhada com as temáticas transversais da Ética tangenciando questões de Pluralidade Cultural, Meio Ambiente e Orientação Sexual.

Podemos observar na série os conjuntos de ética quanto ao respeito mútuo, diálogo e solidariedade, tornando nossa heroína Francisca um exemplo e um exemplar de nossas crianças ao lidar com seu cotidiano. Ela perpassa por questionamentos, expressa com clareza seus sentimentos e desenvolve com racionalidade e afetividade suas dúvidas quanto ao certo e errado, muitas vezes retirando-o dessa dualidade.

Objetivos

Como a série de livros contribui para o aluno? Francisca compartilha dos seguintes objetivos estabelecidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental:

– compreende a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos sociais e políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;

– posiciona-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;

– conhece e valoriza a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais;

– percebe-se integrante, dependente e agente transformadora do meio ambiente, identificando seus elementos e a interação entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;

– desenvolve o conhecimento ajustado de si mesma e o sentimento de confiança nas suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética e de inter-relação pessoal e inserção social, para agir com perseverança na busca do conhecimento e no exercício da cidadania;

– conhece e cuida do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida, e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva.

Rio de Janeiro, 2013


[1] Salto para o Futuro. Boletim 11, junho de 2007. Debate: Temas polêmicos na literatura. Conceituação e justificativa. Nilma Lacerda. Pág.03.