A era pós-industrial: cidades verdes, pegada ecológica e criatividade

 palmeirasPesquisadores e estudiosos chegaram à conclusão de que as cidades, são sim, verdes! Esse é um novo conceito que desafia os cientistas tradicionais a pensarem e agirem de uma nova forma. Com o objetivo de disseminar essa nova concepção é importante incorporar no ensino tradicional a importância da Pegada Ecológica. A “Pegada Ecológica” ou Ecological Footprint em inglês, é um indicador de sustentabilidade ambiental. O índice examina a dimensão dos impactos negativos que as atividades exercidas por nós causam junto às fontes naturais. Cada estilo de vida demanda uma certa quantidade de matéria e energia da Natureza, produz resíduos e provoca emissões de gases que desestabilizam o meio ambiente.

É essencial qualificar os educadores para que eles promovam debates sobre a percepção das relações entre todos os sistemas naturais.  Principalmente a ligação das cidades, ecossistemas urbanos, com os ecossistemas selvagens. Para que possamos ter um mundo mais sustentável é necessário que as novas gerações entendam a importância da preservação dos ambientes naturais, seja qual for o caminho profissional que elas sigam no futuro. Citando o professor de Educação para a Sustentabilidade, Robert Farrell:

“Uma mudança de consciência, que é vital para a mudança de comportamento, é muito difícil de alcançar e exige o processo desafiador e lento de desaprender e reaprender.”*

Educação para a Sustentabilidade ou para o Desenvolvimento Sustentável, como vimos no post do dia 11 de janeiro, significa educar para um mundo mais justo, o que envolve os pilares econômicos, sociais e ambientais. O sistema educacional vem recebendo muitas críticas: a falência do processo de aprendizagem, escolas consideradas “máquinas de triagem” ou reprodutoras do status quo….

A escola que deveria ser ferramenta de transformação social para muitos é ainda considerada uma fábrica de força de trabalho. Força utilizada por governos para a busca incessante pelo poderio econômico no mercado globalizado – escravizando e sufocando talentos individuais – e até mesmo para a promoção da Guerra, a exemplo dos EUA.

Estamos no Século XXI, mas a Educação ainda está nos moldes ultrapassados. Continuamos reproduzindo uma educação de modelo industrial, que alimenta um sistema econômico massacrante e injusto. O mundo mudou muito, todavia o nosso sistema de educação não acompanhou o ritmo. Temos que reconhecer que existem muitos caminhos para que os jovens tenham sucesso e que é necessário proporcionar o apoio adequado e criar oportunidades para que eles desenvolvam seus talentos individuais. Vivemos na era pós-industrial, que é a era da criatividade, pois a força de trabalho físico hoje é feita pelas máquinas e o trabalho mental facilitado pela tecnologia. Portanto, o homem tem uma tarefa insubstituível: ser criativo.

O importante da educação não é apenas formar um mercado de trabalho, mas formar uma nação, com gente capaz de pensar. José Arthur Giannotti

Leia aqui texto interessante que fala sobre “A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar”.

*Tradução Livre

Uma nova visão da escola

Hoje vamos disponibilizar dois artigos sobre o livro “Earth in Mind”, de David Orr (Earth in Mind: On Education, Environment and the Human Prospect – Terra em Mente: Na Educação, no Meio Ambiente e a Perspectiva Humana, tradução livre), sem tradução para o português, infelizmente.

O livro fala sobre a necessidade de um novo currículo educacional nesta nova era. De uma mudança de pensamento para um mundo mais sustentável.

Como defendia nosso educador Paulo Freire na obra Pedagogia da Autonomia (2002, p. 36):

“Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A escola em que se pensa, em que atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se adivinha, a escola em que apaixonadamente diz sim à vida.” 

Escolas para o século XXI

“As gerações futuras precisam aprender a utilizar melhor a energia e os materiais disponíveis. Precisam aprender a usar a energia solar sob todas as suas formas. Precisam eliminar a poluição e o desperdício. Precisam aprender a administrar recursos renováveis. Precisam iniciar a imensa tarefa de restaurar, da melhor forma, os danos causados à Terra nos últimos 200 anos de industrialização. E tudo isso precisa ser feito, enfrentando as iniqüidades sociais e raciais. Nenhuma geração teve que encarar tamanho programa  de trabalho. Continuamos, porém, a educar nossos jovens como se não houvesse nenhuma  emergência planetária. Mas, a crise que enfrentamos é principalmente uma crise da mente, da percepção e dos valores — portanto, um grande desafio para as instituições que formam mentes, percepções e valores. Um desafio educacional.” David Orr 

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Educação e Inovação para Sustentabilidade

“A educação não é amplamente considerada como um problema, a não ser a falta dela. A sabedoria convencional reforça que toda educação é boa e quanto mais se tem melhor. A verdade é que sem as devidas precauções, a educação pode formar pessoas simplesmente para ser vândalos mais eficazes da Terra”. David Orr

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Outro link sobre o assunto:

Educação para o Desenvolvimento Sustentável

Afinal, o que é aprendizagem sustentável?

Sustentabilidade é um termo abrangente, um modelo de desenvolvimento que carrega consigo diversos programas. E ‘aprendizagem’ inclui não somente o que é alcançado através dos sistemas educacionais (educação em seu sentido mais formal), mas também o que é assimilado no cotidiano, seja em casa, no trabalho ou na comunidade (Tilbury & Wortman, 2004).

As peças-chave para tal tipo de educação envolvem três pilares: a sociedade, o meio-ambiente e a economia, todas tendo a cultura como ponto de convergência (Tilbury & Wortman). Com o objetivo de encontrar soluções pragmáticas para que a educação tradicional se adapte às mudanças do planeta, a Comissão de Educação e Comunicação da IUCN – International Union for Conservation of Nature (uma das mais influentes e respeitadas organizações no campo da conservação da diversidade biológica, da preservação do meio ambiente e da gestão de recursos naturais) defende que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável reforce os valores culturais e a utilização responsável dos recursos naturais para que a sociedade mundial encontre justiça social.

Sendo a educação o principal agente transformador da sociedade, ela precisa também transformar-se para acompanhar as mudanças tecnológicas e necessidades ambientais. O modelo tradicional do “cuspe e giz” já não segura mais a criança tecnológica. No entanto, o computador e outras ferramentas modernas não substituem a experiência alcançada através da interação com a Natureza.

Cada forma de aprender tem o seu lugar como parte do mosaico necessário para o desenvolvimento de crianças e jovens. A consciência da diversidade (social, cultural e ambiental), dos valores tradicionais, dos conhecimentos e das línguas associadas com as mais variadas formas de expressão cultural que temos espalhadas pelo mundo, passarão a determinar a forma com que a aprendizagem sustentável acontecerá nos contextos específicos de cada comunidade.

A ONU declarou em 2005 mais uma década temática, dedicada à Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014). Esta iniciativa precisa significar mais do que apenas uma fonte de esperança.

Outros links sobre o assunto:

UNESCO

“Isso representa uma nova visão da educação capaz de ajudar pessoas de todas as idades a entender melhor o mundo em que vivem, tratando da complexidade e do interrelacionamento de problemas tais como pobreza, consumo predatório, degradação ambiental, deterioração urbana, saúde, conflitos e violação dos direitos humanos, que hoje ameaçam nosso futuro.”

“A sociedade brasileira é constituída por diferentes grupos étnico-raciais que a caracterizam, em termos culturais, como uma das mais ricas do mundo. Entretanto, sua história é marcada por desigualdades e discriminações, especificamente contra negros e indígenas, impedindo, desta forma, seu pleno desenvolvimento econômico, político e social.”

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Tilbury, D. & Wortman, D. (2004). Engaging People in Sustainability, Comission of Education and Communication, IUCN, Gland, Switerland and Cambrige, UK.