Congresso Cuba: desenho animado e palestra na íntegra #literatura #diversidade #inclusão

Congresso Internacional Leitura 2013 – Para ler o XXI

Há que se conhecer as forças do mundo para colocá-las em movimento

Transcrição da palestra de Carolina Graciosa da Fonseca:

Olá, boa tarde!

É com muita alegria que participo desse congresso.

Minha apresentação não traz nenhum conceito inovador, embora possa ser transformadora. Eu vim falar basicamente de afeto. É simples: amor. Amor num mundo infestado por sentimentos ruins que podem ser resumidos na violência.

Falta solidariedade, falta compreensão. Violência com o diferente e com natureza. E para falar de amor minha proposta é apresentar as ideias por trás do projeto dos livros d’O mundo colorido de Francisca, abordando, principalmente, a diversidade e a inclusão.

Há 3 anos eu terminava meu mestrado em Educação. Minha sobrinha, filha de uma das minhas irmãs mais novas, então com 4 anos, foi obrigada a experimentar a separação dos pais.

Os fatos que desencadearam da separação foram diversos e por motivos sérios, contudo não tão trágicos – mas que pelo desconhecimento trazem angústia – eu resolvi retratar a vida dessas crianças que estão crescendo no século XXI.

Morar com uma mãe que precisa trabalhar fora, ficar com os avós ou outros responsáveis, ver o pai somente aos finais de semana… Apesar de a guarda ser compartilhada, sempre cai no colo da mãe a maior parte da responsabilidade. E com a emancipação da mulher para o trabalho, responsabilidade não só de tempo para educar, com o peso da jornada dupla, mas também para correr atrás do sustento e enfrentar o preconceito, pois a mulher, infelizmente, ainda ganha menos ou ocupa cargos menos relevantes.

Essas crianças são cobaias de um novo mundo. O número de divórcios registrados na última estatística feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2011, foi o maior desde que o dado começou a ser medido em 1984. A taxa de divórcios em 2011, de 2,6 por mil habitantes com mais de 15 anos, também superou a de 2010 (1,8 por mil) – um aumento de 45,6% – e foi a maior desde 1984, quando era de só 0,5 para cada mil.

Sem levar em consideração problemas mais sérios que uma família pode enfrentar o ambiente familiar, de cooperação, compreensão e respeito, ainda é um dos mais favoráveis para se criar uma criança.

Meu foco é atitudinal afetivo com o intuito de promover a valorização da diversidade. Da diversidade, especialmente, dos núcleos familiares, que hoje são variados e que precisam ser reconhecidos. Não podemos enfiar goela abaixo nenhum modelo. Temos que respeitar e procurar a melhor maneira de conviver com as novas famílias. Muitas escolas no Brasil não promovem mais atividades no Dia das Mães e no Dia dos Pais, comercialmente promovidos pelas mídias. Eles estabeleceram o “Dia da Família na Escola”.

Então, como parte desse primeiro passo de promoção da diversidade e da inclusão, idealizei livros que abordam temas contemporâneos, para que esses novos modelos sejam (re)conhecidos e não causem espanto ou tragam o preconceito para as relações sociais.

Tem um trecho de um debate sobre ‘Temas polêmicos na literatura’, de autoria de Nilma Lacerda, que eu gostaria de ler aqui:

“Questões fundamentais da existência atingem crianças e jovens com intensidade semelhante à que atinge os adultos, mas os temas que expressam a angústia frente a essas questões são considerados polêmicos, e obras que tratem do mal, da morte, da violência na escola, da sexualidade, do homoerotismo são, em geral, consideradas ousadas, perigosas, inadequadas pelos docentes, e costumam passar longe da sala de aula, quando se sabe que nelas reside a possibilidade de, por meio da ficção, reconhecer e discutir os enigmas da existência humana e a problemática das relações sociais e, ainda, alcançar a construção de respostas existenciais necessárias aos projetos pessoais e coletivos.[1]

Entre os temas trabalhados nos livros publicados até o presente momento, destacam-se:

  • O respeito às individualidades (raça,etnia, idade, gênero);
  • As relações interpessoais de dependência e o respeito geracional (empatia, reconhecimento e valorização);
  • A diversificação dos núcleos familiares, introduzindo a criança a outras realidades;
  • A construção e reconhecimento da autoimagem e da identidade;
  • O novo papel da mãe com a emancipação da mulher para o trabalho;
  • A introdução da criança a diferentes culturas;
  • A relativização das definições de gênero;
  • O respeito aos animais e à Natureza;
  • A diversidade de sentimentos e a perplexidade da vida.

A intenção é que a coletânea trabalhe também os possíveis desdobramentos, podendo abordar temas muitas vezes considerados mais ousados, mas que são atuais e urgentes para a promoção de uma sociedade de mais amor e respeito.

Tratar da sexualidade, como o homoerotismo e o casamento entre pessoas do mesmo; assim como a violência na escola ou dentro de casa, a adoção e finitude da vida, entre outros temas necessários.

Vou terminar minha pequena exposição com um vídeo singelo de animação da série. E ao saírem, por favor, peguem comigo um exemplar de apresentação d’O mundo colorido de Francisca.

Espero que gostem!

Obrigada!

____________________________________________

[1] Salto para o Futuro. Boletim 11, junho de 2007. Debate: Temas polêmicos na literatura. Conceituação e justificativa. Nilma Lacerda. Pág.03.

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